Um dos sindicatos da PSP utilizou imagens de idosos agredidos, sugerindo que eram vítimas dos suspeitos que fugiram do tribunal. É falso: fotografias são de idosos agredidos no estrangeiro.
As imagens de quatro idosos espancados têm sido partilhadas nas redes sociais ao lado das fotografias dos três suspeitos de assaltos violentos que fugiram do Tribunal de Instrução Criminal do Porto no momento em que foram capturados. A associação que é feita nas várias publicações é que aqueles idosos são vítimas das agressões dos suspeitos, como forma de justificar e desculpabilizar o facto de um sindicato da polícia (o Sindicato Unificado da PSP) ter publicado uma fotografia dos suspeitos no momento da detenção. No sábado, foi a vez de outro sindicato da PSP, o Sindicato Vertical de Carreiras da Polícia, utilizar as imagens de idosos agredidos para atacar as declarações do Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita. Problema: a montagem é falsa. As imagens são de idosos agredidos, mas noutros países e não pelos suspeitos capturados em Gondomar.
A montagem utilizada pelo sindicato da polícia parte de outra imagem partilhada e comentada milhares de vezes nos últimos dois dias nas redes sociais. No lado esquerdo da montagem divulgada vê-se a imagem de os suspeitos no momento da captura e no lado direito vê-se quatro idosos espancados, apresentados como vítimas dos alegados criminosos. O que é falso.
Começando pela primeira imagem da direita, trata-se de Catherine Smith, uma idosa inglesa que foi violentamente agredida com uma trela de cão a 27 de julho de 2017 no sul de Londres, no Reino Unido. A história foi noticiada a 31 de julho de 2017 pela BBC e por vários outros órgãos de comunicação
A segunda imagem da direita, corresponde a um idoso que foi brutalmente espancado em novembro de 2015 na madrugada na Barra da Tijuca, na zona Oeste do Rio de Janeiro, no Brasil. John Charles Junyent, de 78 anos, era chefe de cozinha e dono do restaurante La Botticella, na Barra da Tijuca e foi atacado por um homem que tinha sido seu funcionário durante quatro anos. O caso foi noticiado pelo jornal Extra, da Globo, a 23 de novembro de 2015.
A terceira imagem da direita corresponde a um idoso que foi espancado em Tremedal, na Bahia (Brasil), em julho de 2013. O idoso vivia numa fazenda, afastada do centro da cidade, e um assaltante fez-se passar por um neto para que abrisse a porta. Acabou atacado e casa foi revirada. Os assaltantes procuravam dinheiro, pois teriam sabido que o idoso tinha acabado de vender um carro. O caso foi noticiado pelo G1, da Globo, a 15 de julho de 2013.
A quarta e última imagem da sequência, no quanto inferior direito, corresponde a Barbara Bransfield, uma mulher de 63 anos que foi atacada por dois homens em casa na madrugada de 19 de julho de 2016, na zona de Manchester, no Reino Unido. A história foi contada pela edição britânica do jornal Metro, a 30 de dezembro de 2016 quando foi deduzida acusação contra os atacantes.
Um “fact check” às imagens prova que os idosos não foram vítimas dos suspeitos portugueses, mas sim de ataques realizados noutros países. Quando atacou o ministro na sua página no Facebook, o Sindicato Vertical de Carreiras da Polícia usou três destas imagens que circulam pelas redes sociais. Os homens capturados pela PSP são, de facto, suspeitos de roubos a idosos e de terem utilizado a violência física nesses assaltos. Os idosos agredidos em Portugal não têm é nada a ver com os que aparecem nas imagens partilhadas.
A própria PSP já estava igualmente a ser criticada por ter permitido que fotografias dos idosos agredidos (que se prevê que constem dos inquéritos policiais) fossem divulgadas. Não foi o caso. A PSP divulgou a foto dos suspeitos numa posição pouco digna, mas não das vítimas.
O Observador tentou, sem êxito, contactar o Sindicato Vertical de Carreiras da Polícia antes da publicação deste artigo. Foram, no entanto, enviadas questões para o endereço de email do sindicato, do qual ainda se aguarda resposta. O Observador já enviou igualmente questões ao Ministério da Administração Interna, das quais aguarda igualmente uma resposta.
Fonte: Observador